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Discursos, 32ª Confrarternização, Braga, Junho de 2006

Proferida no Cemitério de Cabaços, Concelho de Ponte de Lima.


Ao Manuel Barros Reis (O Ponte de Lima)


Nesta ocasião solene homenageamos postumamente o Manuel Barros Reis, embora o façamos 32 anos após a sua morte, tal homenagem não deixa de ser merecida e justa. Apenas pedimos desculpa á família, na pessoa da sua irmã Ermelinda, por ser tardia. Todavia, como diz o povo mais vale tarde que nunca. Mas este atraso, embora longo, também possui o seu lado positivo, é sinal que a memória do Manuel, homem simples, disciplinado e trabalhador, jamais saiu do nosso pensamento, porque se assim não fosse este preito não teria lugar. Conheci o Manuel no Regimento de Infantaria nº 1, na Amadora, era do meu pelotão, logo aí na minha perspectiva ele se fez notar pela sua sensatez e pela sua maneira de estar, não obstante ter somente vinte anos. Efectivamente, já falava e pensava como um homem bastante maduro. Também me recordo dele, pela destreza e eficácia com que, sozinho, fez o forno, que cozeu o pão, que todos nós comemos, quando a Companhia se encontrava em M´Panze. Na minha opinião, todas as virtudes do Manel se podem sintetizar numa só, era, realmente, um homem bom. Contudo, nesta hora se me é permitido também pretendo recordar os outros camaradas que infelizmente já não fazem parte do mundo dos vivos e que nas mesmas circunstâncias do Ponte de Lima, era assim que o Manuel Reis, era conhecido no nosso seio, também nos deixaram e que se finaram no campo da luta em Moçambique. Nesta conformidade, temos, o Manuel Brito Gaspar, Vítor Manuel Nunes, Rondinho Uaera e o Tomas Tembe.

Todos eles, sem excepção, deixaram em nós um estigma bastante doloroso e muita saudade. Porém, se o sofrimento não é nunca definitivo e se à morte se segue sempre a Ressurreição, camaradas, até um dia...

Nesta hora de evocações, também é com grande mágoa e tristeza que passo a citar, para recordar, os nomes daqueles que já partiram, após o nosso regresso:

-          João Lopes
-          Manuel Dias
-          Godinho
-   António Lopes
-          Saraiva
-          Matos
-          1º Figueiredo
-   Toni
-          Costa Pereira

Que todos eles descansem em paz.

 Para finalizar peço a todos um minuto de recolhimento em homenagem de todos os camaradas falecidos. Quem souber rezar que o faça. Luís Guimarães


Comentários

  1. No minuto de silêncio vergo-me à memória destes camaradas com quem partilhei tempos comuns. Na Amadora e depois em Moçambique. Reconheci, por maior convívio o 1º Figueiredo, e gostaria de saber se o Matos não era o furriel vago-mestre, de S. João da Madeira?
    Singela, forte homenagem Guimarães!
    Amadeu Dias
    Ex- Fur. Miliciano - C.CAÇ. 3496.~
    2019/05/13

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