Proferida no Cemitério de Cabaços, Concelho de Ponte de Lima.
Ao Manuel Barros Reis (O Ponte de Lima)
Nesta ocasião solene homenageamos postumamente o Manuel Barros Reis, embora o façamos 32 anos após a sua morte, tal homenagem não deixa de ser merecida e justa. Apenas pedimos desculpa á família, na pessoa da sua irmã Ermelinda, por ser tardia. Todavia, como diz o povo mais vale tarde que nunca. Mas este atraso, embora longo, também possui o seu lado positivo, é sinal que a memória do Manuel, homem simples, disciplinado e trabalhador, jamais saiu do nosso pensamento, porque se assim não fosse este preito não teria lugar. Conheci o Manuel no Regimento de Infantaria nº 1, na Amadora, era do meu pelotão, logo aí na minha perspectiva ele se fez notar pela sua sensatez e pela sua maneira de estar, não obstante ter somente vinte anos. Efectivamente, já falava e pensava como um homem bastante maduro. Também me recordo dele, pela destreza e eficácia com que, sozinho, fez o forno, que cozeu o pão, que todos nós comemos, quando a Companhia se encontrava em M´Panze. Na minha opinião, todas as virtudes do Manel se podem sintetizar numa só, era, realmente, um homem bom. Contudo, nesta hora se me é permitido também pretendo recordar os outros camaradas que infelizmente já não fazem parte do mundo dos vivos e que nas mesmas circunstâncias do Ponte de Lima, era assim que o Manuel Reis, era conhecido no nosso seio, também nos deixaram e que se finaram no campo da luta em Moçambique. Nesta conformidade, temos, o Manuel Brito Gaspar, Vítor Manuel Nunes, Rondinho Uaera e o Tomas Tembe.
Todos eles, sem excepção, deixaram em nós um estigma bastante doloroso e muita saudade. Porém, se o sofrimento não é nunca definitivo e se à morte se segue sempre a Ressurreição, camaradas, até um dia...
Nesta hora de evocações, também é com grande mágoa e tristeza que passo a citar, para recordar, os nomes daqueles que já partiram, após o nosso regresso:
- João Lopes
- Manuel Dias
- Godinho
- António Lopes
- Saraiva
- Matos
- 1º Figueiredo
- Toni
- Costa Pereira
Que todos eles descansem em paz.
Para finalizar peço a todos um minuto de recolhimento em homenagem de todos os camaradas falecidos. Quem souber rezar que o faça. Luís Guimarães
No minuto de silêncio vergo-me à memória destes camaradas com quem partilhei tempos comuns. Na Amadora e depois em Moçambique. Reconheci, por maior convívio o 1º Figueiredo, e gostaria de saber se o Matos não era o furriel vago-mestre, de S. João da Madeira?
ResponderEliminarSingela, forte homenagem Guimarães!
Amadeu Dias
Ex- Fur. Miliciano - C.CAÇ. 3496.~
2019/05/13