Braga, 18 de Junho de 2006
A Organização deste evento e eu em particular exprimimos os seus agradecimentos aos camaradas, bem como às famílias e amigos que participam neste registo notável que é o trigésimo segundo aniversário do regresso, a Portugal, desde Moçambique, da C. Caç. 3495.
Com efeito, este evento é mais do que um aniversário, é antes de tudo um tributo muito simbólico a todos aqueles que ergueram, conservaram e idealizaram este cumprir de anos.
Na verdade, a amizade forma-se no enredar de pequenas tarefas que as incluímos no ritmo e nos pormenores que preenchem o nosso quotidiano. Da expectativa e encantamento dos primeiros tempos até à naturalidade. A aceitação da amizade é sinal e factor de uma pequena revolução de costumes.
Perdoem-me a comparação, mas a amizade é como um ser vivo e, obviamente, se não for alimentada falece. Daí a razão da existência de convívios.
Contudo, a meu ver, amizade que se forma em climas sociais muito duros e difíceis, tal qual aquela que nos une. Aquela que foi moldada pelo ardor do calor africano, pelo pó pegajoso das picadas, pelo troar das morteiradas, pelo ribombar das minas, pelo sibilar angustiante das balas nas emboscadas, pelo sangue derramado pelos nossos feridos e pelos nossos mortos, pelas nossas lágrimas que se diluíram, muitas vezes, em choros e preces silenciosas, é, na realidade, excepção. Enfim, a pureza, a enormidade e a familiaridade desse tipo de amizade não precisa de alimento, é, efectivamente, perene, é dura como a rocha. É ver a alegria com que reencontramos algum camarada, que há muito não víamos, os nossos olhos brilham, brilham, podem não lacrimejar mas brilham mais do que qualquer estrela da nossa galáxia. O sentimento de alegria que nos enche, quase faz explodir o nosso peito.
Faz-se, concerteza, jus ao refrão do nosso hino...
Foram meses muito duros,
Passados com muito afinco.
Companhia de Caçadores
Trinta e Quatro Noventa e Cinco.
Camaradas, já saímos da banalização, vamos recordar sempre os deslumbramentos dos nossos encontros, na medida em que um discurso não é só feito de real o imaginário também faz parte da vida. Todavia, vamos tentar que no próximo ano esteja presente um camarada que ainda nunca tenha comparecido a uma destas confraternizações.
Até sempre...
Luís Guimarães.
Muito bem e muito bonito. De acordo.
ResponderEliminarAmadeu Dias - ex-FUr. Mil. CCAÇ. 3496/BCAÇ. 3874.