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Mensagens

A mostrar mensagens de julho, 2011

Omar, alimentação.

Omar, alimentação.                           Muitos dos camaradas que acompanham este blog, com certeza que estranharão o facto de eu dedicar um texto à alimentação que usufruíamos em Moçambique, muito particularmente em Omar. Contudo, face a ser condição necessária para a sobrevivência humana e perante algumas particularidades, a meu ver, a alimentação merece um tratamento distinto. Como é óbvio, o Estado Português assegurava-nos, as três principais refeições diárias, isto é: - O pequeno-almoço, almoço e jantar, em quaisquer delas não havia muita variedade. A primeira refeição era composta por uma caneca de café que podia levar leite, acompanhada com uma carcaça untada de margarina. O almoço e o jantar variavam entre si, quando ao almoço nos era servido arroz com salsichas, ao jantar apresentavam-nos massa com carne, a famosa cambalhota com estilhaços. Também...

Omar, terra sagrada, Minas e morteirada.

Omar, terra sagrada, das minas e morteirada. Omar para nós e Namatil para a frelimo, situava-se na orla do Planalto Maconde, sobranceiro sobre o Rio Rovuma, sendo certo que desde o aquartelamento até ao referido rio, fronteiriço com a Tanzânia, distavam cerca de 5 KM de zona pantanosa e quase impenetrável. No tocante ao fortim militar, Omar não passava disso, na medida em que apenas tinha presença militar, teria cerca de 5000 M2 de área, sendo o seu formato circular, havia uma espécie de avenida e, em cada lado da mesma, dispunham-se os barracões de zinco onde se instalava o pessoal e toda a espécie de serviços. A meio da referida avenida existia uma espécie de obelisco que assinalava a presença das tropas que haviam passado por Omar. Havia, também, um mastro, onde, aos Domingos e Feriados, com alguma circunstância, se hasteava a Bandeira Nacional. Para fins meramente defensivos, a praça militar, era cercada por duas fiadas de arame farpado, e junto da fiada interior, existia uma va...

Mueda, rumo Omar.

Mueda, rumo Omar. A estadia em Mueda, foi apenas por uns dias, todavia, deu para ver e sentir o cenário que iríamos encontrar durante a estadia em Cabo Delgado, nomeadamente em Omar. A mensagem inscrita numa placa à entrada Mueda, quem vinha de Montepuez, era incisiva e bastante elucidativa, dizia: “ Benvindos a Mueda. Terra da guerra. Aqui trabalha-se, luta-se e morre-se. Checa é pior que turra”. Contudo, não era necessária a mensagem deixada por algum “velhinho”, constatava-se, sem qualquer dificuldade, a severidade e a crueldade do clima social e bélico que ali se respirava. O vai e vem dos helicópteros, uns armados com o heli-canhão, outros transportando tropas, outros ainda, a transportarem feridos do local do reencontro com a frelimo para o hospital de Mueda, e ou daqui para Nampula. Os aviões, a levantar e a aterrar no aeródromo militar. Os Fiat, aviões super-sónicos, produziam um som muito mais forte que mil trovões. Era, de facto, assustador. Seguidamente, fui à morgue, ain...

Mueda, terra de minas e morteirada.

O sol tinha acabado de nascer e o corrupio de viaturas no Batalhão Operacional de Porto Amélia mais parecia o trânsito caótico de Lisboa em hora de ponta. Com efeito, a coluna de transportes começava a formar-se. A mesma era composta por viaturas civis, cerca de 500, e cerca de 100 viaturas militares. Estas colunas eram aproveitadas para efectuar a reabastecimento de géneros alimentícios (secos) às Companhias Operacionais que se encontravam no Sector D (Mueda). Paralelamente, também havia o reabastecimento do comércio civil, pois para aquela zona nenhuma viatura civil viajava sem escolta militar. Abria a coluna uma viatura berliet artilhada do exército, esta viatura era protegida lateralmente, com um dupla barreira de madeira e no seu interior havia areia. O chão da carroçaria da mesma também estava coberto de areia, no meio da mesma encontrava-se montado um morteiro 81 MM. Ao lado do condutor ia montada uma metralhadora ligeira MG, esta viatura era denominada pelo “rebenta minas”. ...