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Em Dublin FMI ou FDC.


 Eram cerca das 22,00 horas do dia 17/05/2011, quando cheguei a Dublin. Já era noite cerrada e não se vislumbrava grande azáfama no Aeroporto. Contudo, eram visíveis os avisos, em português, dirigidos aos adeptos bracarenses e portuenses, separando-os tanto no lugar de embarque e desembarque dos autocarros que os levariam dali para as “fans zone”, a fim de evitar eventuais choques entre claques. Dirigi-me para o hotel, que se situava no centro da cidade, após o check in, saí para jantar. Após o mesmo e depois de uma pequena volta para digerir a refeição e desentorpecer as pernas regressei aos meus aposentos.
No dia seguinte, bem cedo, pois só tinha aquele dia para conhecer minimamente a capital irlandesa, comecei o meu tour pela cidade. Entre outros locais, fui ao Temple Bar, à O´Connel Street, ao Phoenix Park, ao Croke Park, ao Guiness Storehouse, à Saint Patrick Cathedral, Tinity College, à zona da Great Wheel – onde se concentravam os adeptos do SC Braga e, finalmente, fui Aviva Arena, onde no começo da noite se iria disputar a grande final. Fartei-me de andar a “penates”, porém, valeu a pena. Ainda dizem que em Portugal existem muitas tascas, quem tem esta ideia nunca foi a Dublin. Os bares, nos arredores do Aviva, antes do jogo, estavam repletos de bebedores de guinesss, mas Irlandeses …
Num juízo muito rápido, posso adiantar que gostei bastante de Dublin, a cidade é airosa, limpa, sem grandes prédios em altitude e, principalmente, muito verde, a fazer jus as cores nacionais irlandesas. As pessoas simpáticas e atenciosas. Nem a visita da Rainha da Inglaterra que arrastou um enorme aparato, em termos de segurança, atrapalhou.
No que concerne ao que ali me levou – a Final da Liga UEFA – organização perfeita, muita informação, muita ordem e acima de tudo muito empenho e muito rigor demonstrado pelos responsáveis da logística do evento.
Mas vamos ao que interessa, o jogo da final em si mesmo. Com efeito, usando as terminologias futeboleiras, o jogo foi repartido, a primeira parte foi do FC Porto, sendo certo que a sua superioridade se sustentou no seu forte meio campo e ataque. Realmente, os jogadores daqueles sectores são de valor acima da média. Todavia, a segunda parte foi do SC Braga, baseada muito fundamentalmente na garra e determinação dos seus jogadores. Quero aqui destacar as actuações soberbas de Vandinho, Custódio, Miguel Garcia, Sílvio e Paulão. Como muita gente já disse, o jogo foi decidido por detalhes. Efectivamente, foram detalhes, a grande defesa do Helton, o passe milimétrico do Guarin, a cabeçada certeira do Falcão, a perda de bola infantil do Rodriguez, a apatia do Hugo Viana e a ansiedade do Mossoró. Não me cabe a mim falar dos detalhes portistas. No entanto, sobre os detalhes braguistas, apenas quero relevar o falhanço do Mossoró. A meu ver, tal falhanço só aconteceu face à ansiedade do atleta na concretização da jogada. Ela apenas ocorre, na minha modesta opinião, porque durante a época o atleta em questão, não obstante ser, a meu ver, o melhor jogador do plantel, nunca ter sido utilizado com regularidade. Deu-me a sensação que ele queria mostrar ao Treinador que não tinha razão quando o deixava de fora. Naquele lance, constatou-se, com evidência, a garra com que ganha a bola ao Otamendi e até ao fim do jogo foi o jogador mais inconformado da equipa.
Finalmente, o detalhe da arbitragem. Apesar de o SC Braga ter perdido, gostei da arbitragem, pelos menos tinha critério. Não expulsou o Sílvio nem o Sapunaru. Não marcou algumas faltas sobre o Alain, Paulo César e Hulk, na medida em que verificou que eles, em alguns lances, simularam quedas e partir dali jamais os levou a sério, sempre teve o pé atrás para com aqueles atletas. Por fim o lance do golo do FC Porto que ditou a vitória daquele clube. Antes de me referir em concreto ao lance, quero adiantar que no futebol, há grande penalidade ou não, há fora de jogo ou não. Nestas jogadas não existe meio-termo, ou há ou não há. Em Dublin, o Falcão está ligeiramente adiantado, nem que sejam milímetros, há fora de jogo, consequentemente, o golo devia ser invalidado. Por conseguinte o FC Porto ganhou a Taça com um golo falso. Foi este detalhe que derrotou o SC Braga.
No fim nem fiquei para assistir á festa do FC Porto, abandonei o Estádio logo após o apito final. Enfim não fiquei FMI (Frustração Monumental Irlandesa). Outrossim fiquei FDC (Frustração do Caraballo).
Parabéns aos jogadores, equipa técnica e Direcção do SC Braga.


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