Presidente da Administração da SAD do Sporting Clube de Braga.
Senhor António Salvador
Nestes tempos de liberalismo e capitalismo desenfreado, algumas coisas da vida, nomeadamente os direitos consagrados dos sócios dos clubes desportivos, desde afirmar que eles são a sustentação, consequentemente, são as traves mestras dos mesmos até à consideração que devem ter por eles, quem administra o clube. Infelizmente, constata-se que tal paradigma já era. Pelos vistos, os Sócios são incómodos e apêndices que se podem descartar com facilidade.
Com efeito, nesta deslocação a Dublin, para assistir à final da Taça da Liga entre o SC Braga e o FC Porto, a Direcção da SAD do SC Braga, fez tábua rasa dos direitos dos sócios. Efectivamente, estou a referir-me ao critério ou falta dele, usado para a venda de bilhetes para a já mencionada final. Realmente, não foi atribuída qualquer prioridade aos sócios em geral e aos de lugar anual em particular. Não foi colocado à venda nenhum bilhete dos mais baratos (50,00€) e os de 80,00€ voaram em segundos. Já agora no FC Porto, apenas venderam bilhetes a sócios do clube, priorisando os de lugar anual.
No dia 11 de Maio, pelas 10,00 horas, nas bilheteiras anexas ao Estádio 1º de Maio, existiam ingressos de 50,00€. Todavia, os mesmos apenas eram vendidos pela funcionária da Agência de Viagens Cosmos, a quem adquirisse o pack da viagem para Dublin. Perante esta triste realidade e, também, pela enorme desconsideração pelos Sócios do SC Braga, sou levado a ponderar o facto de continuar a manter o estatuto de sócio do meu clube de sempre, enquanto esta Direcção estiver em vigência, obviamente. De facto, a administração não reconhece o esforço, nestes tempos de crise, de ser Sócio, empenhado e cumpridor, do clube. Recordo, que no meu caso e de muitos sócios, recorri às viagens das Companhias Aéreas de low cost, para Dublin porque, desgraçadamente, o dinheiro não abunda, para estar presente, com sacrifício, no apoio incondicional da nossa equipa. Nesta conformidade, sou levado a congelar o pagamento das cotas mensais de sócio. Porém, tal desiderato não quer dizer que eu deixe de ser adepto e de ser um braguista, como diz o Prof. Marcelo, do coração. Esse sentimento será eterno. Aliás, mesmo pagando pelo bilhete 105,00€ lá estarei se Deus quiser.
Nestes termos, até ao dia em que a Administração voltar a ter estima e apreço pelos sócios, congelarei o pagamento das cotas mensais. Na medida em que a partir deste momento me é completamente desnecessário, junto em anexo o meu cartão de sócio.
Com os melhores cumprimentos.
Braga, 12 de Maio de 2001
Luís Guimarães, Sócio nº 21865, com cadeira anual. E-mail: luisag@sapo.pt
PS. Já quando eu era o Sócio nº 7313, em tempos, tomei uma atitude deste calibre, pois o seu antecessor, numa Assembleia Geral, referiu que o SC Braga precisava da Olivesdesporto e não dos Sócios, isto numa resposta que dava a um Sócio quando este lhe solicitou o empenho para reduzir os jogos, em Braga, à Sexta e à Segunda-Feira.
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