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Uma questão de porcos!

Era uma vez, numa terra muito bonita à beira mar plantada, entre outras várias ocorrências e peripécias, existiam pequenas tribos que, entre si, praticavam um jogo chamado chuto no couro. Havia os azuis, os verdes e os encarnados, digo encarnados porque estes de vermelho nada tinham, já que a tal terra quando era governada, ditatorialmente, por um indivíduo chamado Sala e Azar, embora muito lhes custe a engolir, era a tribo do regime. Durante este regime estes encarnados ganhavam quase tudo, muito embora, às vezes, tais vitórias não fossem muito claras. Eram famosos os roubos de catedral. O campo dos lampiões era fortim afamado, pois era muito bem guardado por homens de fato preto, consequentemente, nenhum adversário tinha hipóteses de sair de lá a ganhar alguma coisa. Entretanto, aconteceu uma revolução que também se repercutiu no jogo chuto no couro, pelo que os verdes, os pretos e, principalmente, os azuis começaram a ganhar. Aliás, os azuis também começaram a ganhar no Continente. Os encarnados começaram a sentir-se muito mal na medida em que só ganhavam de longe a longe. Gabavam-se que, três quintos da população, era adepta da tribo. Que tinham os melhores jogadores, que tinham os melhores treinadores. Por consequência só não ganhavam porque os adversários faziam jogo sujo, principalmente os azuis do norte. Assim, arvoraram-se em defensores da moral e bons costumes começando campanhas contra os desonestos equiparando-os a porcos sujos. Ganharam o último concurso, é certo que os azuis e os verdes, nessa altura, não lhe deram muita réplica. Apenas os vermelhos do norte os incomodaram até á última jornada. Contudo, a desilusão deu-se no concurso a seguir, já que os azuis voltaram a ganhar, desta vez sem apelo nem agravo. Os encarnados voltaram à política anterior, isto é, os azuis e os vermelhos eram um bando de desonestos, não passavam de bandidos ou de lobos vestidos de cordeiros. Os arautos desta política era o chefe, que acho que era familiar do presidente de um país do norte de África, um tal GS (Gajo Sinistro), um CMS (Cuco Muito Sujo) e um tipo que fazia fitas. Chegaram ao cúmulo de apagar a luz do lampião e abrir as torneiras do campo, no fim do encontro entre os encarnados e os azuis, quando estes se tornaram ganhadores do concurso do presente ano. Desejaram, publicamente, a morte ao chefe dos azuis, incitaram os encarnados a pegar em armas contra os azuis do norte. Incendiaram alguns pertencentes aos azuis do norte que se situavam na terra onde se situa a sede dos encarnados. Parece um paradoxo mas, infelizmente, é verdade. Os encarnados também são tão, ou mais, porcos que os azuis do norte. Afinal, como já há muito tempo afirmava George Orwell, numa democracia todos são porcos, só que uns são mais que outros. Transpondo para o chuto no couro da terra bonita à beira mar plantada. Todos são porcos, só que uns são mais que outros, resta saber quem…

PS: Qualquer semelhança com a realidade portuguesa, é pura coincidência.

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