Sábado, 26 de Fevereiro de 2011
Nunca se assistiu como agora á proliferação de Escolas de Futebol como agora. Nada a opor se tais escolas forem devidamente conduzidas por pessoas e técnicos devidamente capacitados, em termos técnicos e humanos, para a função. Todavia, trago este tema para discussão, na medida em que, no passado recente, não existiam escolas formais, havia, isso sim, a formação de rua ou bairro. Obviamente que esta formação nada tinha de organização era o prazer do jogo pelo jogo. Nesta conformidade, vou dar a conhecer um pouco da história da minha “escola” de futebol.Com efeito, a mesma situava-se no Bairro da Misericórdia e teve início nos 60, como recinto de jogos tínhamos o campo da escola, que era triangular. Assim, do lado sul – era mais largo – e a baliza era definida pela entrada lateral do alpendre, tinha – mais ou menos – as medidas das actuais balizas de futebol de sete, do lado norte, era mais estreito, a baliza era marcada por duas pedras o que motivava sempre discussão sobre um eventual golo, pois a altura da baliza e as laterais eram sempre defendidas antagonicamente, consoante fosse a equipa que ataca ou que defendia aquela baliza. Face a essas características os cantos desse lado eram marcados á mão. Tínhamos, também, o recinto do campo de baixo, contudo, este campo apenas era praticável no Verão, já que no Inverno era um autêntico lameiro, este recinto já tinha uma área maior e era quadrangular, no entanto, as balizas eram duas pedras que assinalavam os postes. Mais tarde, também utilizávamos o campo dos “padres” que se ficava na Quinta da Ordem, onde se situa actualmente o recinto de jogos do GD Bairro da Misericórdia. Este recinto era quadrangular e tinha balizas feitas de troncos de pinheiro (postes e traves) este luxo acontecia porque aquele recinto era propriedade do Seminário Menor que existia na Estrada de São Martinho e servia de recreio para os alunos daquele estabelecimento. Porém, neste recinto tínhamos que estar atentos aos “padres” pois não possuíamos autorização dos mesmos para permanecer local. Consequentemente, quando alguém gritava “vêm aí os padres “ cada um agarrava nas suas coisas e toca a abandonar o local, apressadamente, saltando o muro, para o exterior. Portanto, espaço havia, componente humana era imensa, às vezes a dificuldade era arranjar bola. Recordo que as partidas, sobretudo no tempo de férias eram disputadas de manhã á noite, o intervalo era na hora do almoço e na maior parte das vezes era necessário a mãe de algum aparecer no local e interromper o mesmo.
Desta verdadeira escola lá apareceram alguns craques, como o saudoso António Mendes, o Fernando “pirocas”, o Marinho o seu irmão Zé Maria, o Manelzinho, o Nequinha, o Fernando Louro, todos eles foram profissionais da bola. Num nível inferior, tivemos o António Duarte, Valdemar, o Elísio, o Sebastião, o Chico “Chipenda”, o Xico Louro, o Quim Zé, o Toné, os dois Quins (guarda redes e defesa esquerdo), o Pirata, o Milo, o Raúl, o Duarte FC, o Zé Sá Pereira, o Nelinho, o Mário, o Luís, o Carlitos e outros que agora não recordo. Lembro que no ano de 1967, uma equipa do Bairro da Misericórdia foi à prospecção do SC Braga – Juvenis e Juniores, tendo sido escolhidos, os seguintes atletas – Juniores: Valdemar, Sebastião, Luís e Carlitos. Juvenis: Fernando “pirocas”, António Duarte, Neca, e o escriba deste blog, quase a equipa toda, o Bairro da Misericórdia era mesmo um viveiro natural do futebol. Não havia treinador, não havia preparador, não havia dirigente, havia, de facto, apenas a vontade e a felicidade de jogar futebol, ou como nós dizíamos “jogar á bola”. Como refere o Valdo, ex-jogador do SL Benfica, uma bicicleta apenas faz feliz um miúdo, já uma bola trás a felicidade a dezenas deles. Realmente o que era necessário era o espaço e a “redondinha”.
Que saudades.
O desporto é sempre muito bonito quando realizado com esse amor à camisola, ou melhor, à bola. Pena é que agora grande parte dos miúdos se divirtam mais com os comandos das PS e fiquem "paneleirinhos" dos olhos como dizia alguém lá da FCDEF.
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