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Que realidade do futebol português?

Sexta-feira, 18 de Março de 2011
O dia 17 de Março de 2011 foi histórico para o futebol português. Efectivamente, três equipas portuguesas – FC Porto, SL Benfica e SC Braga, com maior ou menor dificuldade conseguiram passar aos ¼ de final da Liga Europa. Sem qualquer análise profunda é facilmente constatável que estas equipas apenas apresentam o produto da sua boa organização administrativa, desportiva e financeira. Contudo, vista a questão por outro prisma, também é fácil verificar que as mesmas, não reflectem a realidade do futebol português. Aliás, vamos analisar a composição das equipas que alinharam no dia de ontem:
SL Benfica: Na equipa que iniciou o jogo apenas tinha um atleta português – Fábio Coentrão. No banco tinha dois – César Peixoto e Carlos Martins.
FC Porto: Na equipa inicial apenas tinha dois atletas portugueses – João Moutinho e Rolando. No banco possuía quatro – Beto, Sereno, Ruben Micael e Varela.
SC Braga: Na equipa principal tinha, somente, três atletas – Hugo Viana, Miguel Garcia e Sílvio. No banco possuía três – Hélder Barbosa, Cristiano, Dani.
Se quisermos analisar estes atletas por sectores chegamos á seguinte conclusão:
Guarda Redes: dois
Defesas laterais: cinco
Defesas centrais: dois
Médios: quatro
Avançados alas: dois
Nota-se a falta de avançados centro ou pontas de lança, não obstante terem sido utilizados quatro.
Concluindo, em cinquenta e quatro hipóteses apenas havia quinze portugueses. Com efeito, é pouco jogador luso. Todavia, nunca proliferaram como agora as escolas de futebol. Nunca os clubes trabalharam tão bem a formação como actualmente. Então como é que se pode explicar este paradoxo. Não sei. Será talvez pelo baixo custo dos atletas da América do Sul ou Africanos? Será pelos bons negócios dos empresários de futebol? Deixo o problema no ar. Porém, aqui é que deviam entrar as Associações de Futebol Distrital e a Federação Portuguesa de Futebol, estudando o problema e resolvê-lo, levando em linha de conta o interesse nacional e o interesse do atleta e clubes portugueses. Deixem-se de treta e de discussões que apenas visam o poder, ou vão continuar pela solução mais fácil, quando precisarem de um atleta para a Selecção Nacional, nacionalizem-no e, qualquer dia, a equipa de todos nós chamar-se-á “equipa da FPF” e não Selecção Nacional de Portugal.
Para terminar desejo felicitar as equipas que atrás referi, especialmente o meu SC Braga, pela passagem aos ¼ de Final da Liga Europa. Quero desejar às mesmas, toda a sorte do mundo na próxima eliminatória. Que passem por Kiev, Moscovo e Endovhen, da melhor maneira, isto é, ganhando…

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