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No dia das Mães.


No dia da Mãe.
Há dias para tudo, todavia, aquele que se celebra hoje é, efectivamente, muito especial e, paradoxalmente, escusado. Especial, na medida em que comemora a figura que humanamente é a mais significativa. Só aqueles que tiveram a infelicidade de não a conhecer é que não puderam constatar o que é o amor de mãe. Um amor sem limites e sem condições, um amor sem estar à espera de qualquer recompensa ou compensação. Amor muitas vezes sofredor ou heróico. Mãe é tudo, desde ser aquela que nos transportou em si durante nove meses, até à trave mestra em que quase todos os filhos se apoiaram para crescer.
Por outro lado esta comemoração é escusada, porque amor de mãe jamais se esquece. Pessoalmente, perdi a minha há quase vinte e cinco anos, e, podem crer, tenho diariamente a sensação que sinto a sua mão protectora. Sei que sofreu bastante, começou pela perda do primeiro rebento. Passou pelo acompanhamento da doença grave de um meu irmão. Continuou com a angústia de viver duas passagens pela guerra colonial, uma minha outra do meu irmão mais velho. Porém, quando precisávamos, lá estava ela firme como uma rocha e infinitamente boa e caridosa. Em circunstância alguma nos recusou carinho, amor e protecção.
Para retratar a minha mãe, apetece-me reproduzir uma quadra que um dia, há muitos anos, vi numa gravura religiosa, a saber:
“Minha mãe, que tanto chora,
Carregando, a sua cruz,
Só não é Nossa Senhora
Por não ser Mãe de Jesus!”
Por tudo isto, esta comemoração é muito especial e, como já disse, escusada, porque para mim o Dia da Mãe, é todos os dias. Aproveito para deixar a todas as mães uma saudação especial.

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