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eleições


Confesso que estava a resistir à tentação de escrever sobre as eleições que ocorreram no pretérito dia 5 de Junho, na medida em que para mim é um terreno demasiado lodoso e traiçoeiro para se pisar. Todavia, por vários motivos não resisti à tentação, designadamente o de dizer não. O ter direito à indignação, como em tempos, disse Mário Soares
Em primeiro lugar, confesso que votei, mas face ao comportamento inócuo e muito palrador dos partidos, nomeadamente aqueles que se sentam em São Bento, não tinha muita vontade para o fazer. Não obstante, durante a campanha eleitoral, nenhum deles, ter adiantado nada de concreto e palpável, zero de ideias, que pudessem melhorar a vida do povo português. Contudo, a meu ver, votar é uma obrigação cívica e, realmente, cumpri com essa obrigação. Mas, a grande dificuldade, para mim, era escolher o partido. Nesta conformidade, o sistema que usei foi a exclusão de parte.
Porque não votei PS. Quando em campanha constatei frases como: Votar Sócrates é votar em defesa de Portugal. Ou votar Sócrates é defender a Pátria. Senão fosse pela maneira como o tipo conseguiu o diploma de licenciatura, senão fosse por ser um descarado mentiroso, senão fosse pelo facto de nos levar à ruína. Só por aquelas duas frases de propaganda política gratuita, jamais votaria PS. Defender Portugal, defender a Pátria. Isto é uma afronta a todos aqueles que desde Dom Afonso Henriques, defenderam verdadeiramente a Pátria com armas na mão, aqueles que derramaram o seu sangue na defesa da nossa terra e da honra de ser português. O que eles queriam verdadeiramente dizer era: - Votar no dito, é defender o nosso tacho ou, para ser mais polido, defender o nosso emprego, deixem-se de tretas, já não enganam ninguém.
Porque não votei PSD ou CDS. Tem a ver com o facto do PSD e o CDS, a par do PS, serem, igualmente, responsáveis pelo actual panorama económico e social do País. Não fujam com o rabo à seringa. No tocante ao PSD, ainda se colocou a dúvida pois a corrente dominante nada tem a ver com a corrente cavaquista, barrosista ou santanista, sendo certo que foram estes, também, responsáveis pela crise. Não me esqueço dos inúmeros casos ainda por esclarecer de algumas figuras proeminentes desses Partidos. Porém, gato escaldado tem medo de água fria.
Porque não votei PC. Se em termos filosóficos concordo com a doutrina, em termos pragmáticos nada feito. O discurso da cassete mudou para CD, no entanto, o conteúdo é sempre o mesmo. Depois aquele comentário, efectuado pelo Secretário-Geral, sobre os estudantes de Coimbra que apenas se opuseram e criticaram a sujeira que o PC efectuou nas escadas da universidade. Francamente, a reacção não passará. Podia haver melhor desculpa. Como por exemplo, vamos partir os dentes à dita. Esta atitude revela o dogmatismo e o conservadorismo do partido. Ainda vive com as doutrinas do Século XIX.
Porque não votei BE. Não basta dizer não. É preciso ser responsável e apontar caminhos para a resolução dos nossos problemas. Não basta dizer, não pagamos. Senão pagamos, é necessário informar o que daí deriva. Para não me alargar muito, em termos Políticos, este partido é de uma irresponsabilidade total.
Não votei branco nem anulei o voto. Então em quem votei? Porque tinha que votar, votei naqueles que defendem a natureza, pois é dela que precisamos para viver. Votei naqueles que defendem os animais, dado que, estes, não têm quem os defenda. Mas atenção, votei neles porque os ideais ainda são límpidos e sinceros. Alarguem a base de sustentação para não se enterrarem na lama e no lodo político.

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