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João Pedro: Revelação tardia ou má perspectica do scouting.



Revelação tardia ou má perspectiva do scouting.

Como braguista, trago este tema à discussão em virtude do João Pedro aparecer na equipa principal do SC Braga já com vinte e sete anos de idade, não obstante ter sido formado no clube. Dirão alguns comentadores ou observadores que esta é a idade que, em termos gerais, o atleta de grande competição (futebol) atinge o auge das suas capacidades, consequentemente, é normal o atleta só aparecer agora. Esta afirmação, com boa vontade, será a regra. Todavia, todas elas possuem excepção e o João Pedro é claramente um caso que não se encaixa na regra. A meu ver, ele sabe muito bem a minha opinião, já há muito tempo merecia estar na 1ª Liga ou no estrangeiro a competir ao mais alto nível, valor capacidade não lhe faltavam.
Não julguem que esta minha opinião é de agora. Efectivamente ainda no Século passado, antes do início da época futebolística 1999/2000, fui contactado por um amigo e colega de profissão, que me questionou se haveria hipótese de um miúdo da terra de um familiar seu (Figueira de Castelo Rodrigo) prestar provas do SC Braga. Respondi-lhe, como respondia a todos, o Braga não fecha a porta a ninguém, ele que se apresente e que mostre o que sabe fazer. Na altura a minha ligação à formação do SC Braga, dava-se pelo facto de eu exercer o cargo de Presidente da Direcção do GD Bairro da Misericórdia e nesse ano ter-se iniciado um protocolo entre os dois clubes, a nível da formação. Obviamente que apresentei esse amigo ao Vítor Santos, no tempo, responsável técnico pelo futebol jovem do SC Braga, combinando ambos a prestação de provas do João Pedro.
Dissimuladamente assisti a dois ou três treinos do atleta e constatei que o miúdo tinha jeito, por consequência foi sem qualquer surpresa que o Vítor Santos decidiu o seu recrutamento para o exército braguista. Desta forma o João Pedro entre 1999 e 2006 permaneceu nas hostes bracarenses. Porém, quero ressaltar duas situações, a primeira foi na época 2001/2002, quando passou pelo GD Bairro da Misericórdia, onde na companhia do Cícero, Tiago Costa, Zé Pedro, Simão, gémeos Peixoto (Telmo e Daniel) e outos foi campeão Distrital, em Juvenis, da A. F. de Braga, guindando o Bairro, mais uma vez, aos Nacionais. Face ao acompanhamento ser mais assíduo e em pormenor, que efectuei, deu para ver, sem a menor sombra de dúvida, que o atleta tinha futuro no futebol. A segunda situação é inerente a este facto. Realmente, na época seguinte, quando no Estádio 1º de Maio, durante a semana, à noite, assisti, junto ao Prof. António Violante a um jogo amistoso entre o SC Braga e o Celta de Vigo, em conversa com aquele técnico, este queixava-se do infortúnio provocado pela lesão do Ivanildo, originando o seu afastamento da Selecção de sub-17 que, em breve, iria disputar o Europeu da categoria em Portugal. Também referiu que iria ter alguma dificuldade na escolha do seu substituto. Nesta altura referi-lhe que tinha a solução ali à mão de semear, tinha o João Pedro do SC Braga. Ainda me respondeu que precisava de um ala esquerdo e não de um ala direito. Então voltei a insistir que o João Pedro era de facto dextro. Mas jogava na esquerda. Aliás, tanto na equipa bracarense ou no GD Bairro da Misericórdia, ele jogava predominantemente pela esquerda, também não escondi a minha opinião sobre as capacidades técnicas e humanas do atleta. Não sei se esta minha opinião contribuiu ou não para que o João fosse chamado para a vaga deixada pelo Ivanildo, porém, a sua chamada aconteceu. Foi internacional pela primeira vez, foi titular na esquerda, na outra ala estava o Bruno Gama e, como sabem, foi campeão europeu. Também foi sem surpresa que na época 2004/05, embora ainda Júnior, fosse chamado para equipa “B” do SC Braga. Da mesma forma, no ano seguinte, também não estranhei que o Atlético de Madrid, tivesse comprado, por alguns milhares de Euros, ao SC Braga o direito de preferência na compra do passe desportivo do João, após este ter rubricado com o SC Braga, o primeiro contrato profissional com a duração de três anos. Passou o primeiro ano de profissional no SC Braga “B”. Após a extinção desta equipa, passou os outros dois anos, por empréstimo, no Penafiel e no Beira Mar. Já jogador livre passou uma época, pela UD Leiria, outra na UD Oliveirense e ano e meio na Naval 1º de Maio. Até que, por fim, alguém abriu os olhos e o João veio para o Arsenal do Minho, demonstrando o valor que sempre lhe reconheci e agora todos lhe reconhecem, disso falam as suas exibições.
Para terminar vou desfazer a questão em título, para mim não houve revelação tardia houve, isso sim, uma visão enviesada do scountig. Para mim o João é como o algodão, nunca me enganou. Força amigo.

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