Clubismo ou Biclubismo, eis a questão.
“ Que viaje à roda do seu quarto quem está à beira dos Alpes, de Inverno, em Turim, que é quase tão frio do Sampetesburgo – entende-se. Mas com este clima, com este ar que Deus nos deu, onde a laranjeira cresce na horta, e o mato é de murta, o próprio Xavier de Maistre, que aqui escrevesse, ao menos ia até ao quintal.” In: Viagens na Minha Terra, Almeida Garrett. É deste modo que o nosso grande escritor e romancista Garrett inicia a prosa do seu romance Viagens na Minha Terra. Efectivamente, é com uma chamada ao Nacionalismo e com a exaltação das nossas coisas, na altura e se calhar agora é bem preciso relevar o que é nosso para que a crise social e económica se não passasse, pelo menos, fosse suavizada. Pode parecer presunção da minha parte quando utilizo este pensamento de Garrett para defender o regionalismo e por sequência lógica o mono clubismo, colocando de parte o biclubismo que grassou e ainda grassa na nossa região de Braga. Realmente, em termos futebolísticos, até há pouco tempo e como tal ainda existem resquícios dessa postura, quase todo desportista de Braga era em primeiro lugar adepto do Benfica, do Sporting e do FC Porto e só num segundo num plano é que era bracarense. Ainda me lembro de uma eliminatória da Taça de Portugal, nos anos noventa, entre Benfica e Braga, realizada no Estádio da Luz e arbitrada pelo presunçoso do Coroado, que nos “roubou” até mais não, sonegando-nos uma grande penalidade e expulsou, sem motivo, o Barroso. Contudo, o Delegado ao jogo do SC Braga, no final, após derrota do Braga, ainda disse publicamente que não estava muito triste, pois tinha ganho a eliminatória o seu segundo clube, vá lá não foi o primeiro... Felizmente que essa onda já se encontra em declínio, não obstante há dias ter sido inaugurado em Palmeira - Braga, um Núcleo Sportinguista. Porém cada vez mais aparecem mais braguistas, é imperioso e necessário promover a nossa região e os nossos emblemas. Meus amigos podem crer que não é com benficas, portos ou sportings que tal se consegue. De facto é com o SC Braga, com o ABC e com o Hóquei C. de Braga que tal desiderato se obtém. Em Glasgow, Liverpool, Sevilha e Dublin exibi com brio e altivez o cachecol do SC Braga, também foi com tal orgulho e muita +´´´´vaidade que naquelas cidades esclareci alguns habitantes das mesmas, a seu pedido, sobre o clube, a cidade e a região. Em contra ponto foi com muita tristeza que no Estádio da Luz, na época 2009/10, após o jogo do título, Benfica vs. Braga, a meu lado cerca de um a vintena de minhotos de Amares e Vila Verde, festejavam a vitória do Benfica cantando o “Cheira bem, cheira a Lisboa…”. Ironicamente ainda disse alguns que cantassem o “ Cheira bem, cheira a Amares ou cheira a Vila Verde”, pelos menos calaram-se. Também me caiu muito mal quando o “speaker” do Estádio da Luz, ante do início da partida, entrevistava um minhoto de Famalicão, este nas respostas achincalhava o Braga e o seu Presidente. Mas, como diz o outro “vozes de burro (ou bégueiro) não chegam ao céu”.
Tenho imenso orgulho em dizer que sou bracarense, embora tivesse vindo ao mundo na cidade Transmontana de Chaves. Todavia, a minha família mudou-se para a capital do Minho em 1956. Consequentemente, foi aqui que estudei e me fiz homem. Em termos desportivos fui atleta do SC Braga, do ABC e do GD Bairro da Misericórdia, neste último clube fui, também Treinador e Director. Para demonstrar o sentimento braguês, quando estive na guerra colonial em Moçambique, nas instalações para sargentos de um aquartelamento do norte, onde permaneci dezoito meses, foi deixado um quadro com identificação dos Sargentos da minha Companhia, onde constava o nome e a naturalidade. Já estão a adivinhar qual a localidade que indiquei para o efeito – BRAGA.
“Bracarenses de Braga” como dizia o saudoso Comendador Santos da Cunha, não deixem de apoiar o nosso Clube, o Sporting Clube de Braga já é grande mas será muito maior se é essa for a vontade de todos. Vamos deixar o FC Porto para os tripeiros e o SL Benfica bem como o SC Portugal para os alfacinhas. Para mim não é utopia, o título deste ano ainda é possível. Braga, Braga vamos para a frente… Braga, Braga mostra à tua gente…
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